“É normal?” Uma pergunta comum com impacto na sua saúde mental

“É normal?” é uma questão que todos já colocamos alguma vez na nossa vida. O que é ser normal? Todos os dias tentamos responder a esta pergunta, numa tentativa subconsciente de garantir que ainda nos enquadramos na sociedade. Quando não somos considerados normais, corremos o risco de ser colocados de parte, mesmo por quem amamos.
Este fenómeno tem o papel de adequar o nosso comportamento às regras definidas para o grupo, aquilo que definimos como cultura. Assim, encontramos, muitas vezes, a resposta a esta pergunta naquilo que nos foi ensinado pelos adultos no nosso crescimento. Mais tarde, nós próprios reforçamos e colocamos estas regras em prática. Mas, o normal também pode ser apenas aquilo que é comum, o que faz com que, por vezes, a nossa sociedade considere normal aquilo que sentimos que não é.
Frequente é o sofrimento oriundo da sensação de que algo que sentimos, fazemos, ou reconhecemos como uma parte de nós não é normal. Pode levar a um sentimento de rejeição ou de incompetência, ou à dúvida constante, numa sensação de paralisia que pode acabar em ansiedade ou conformismo. Por exemplo, quando sentimos que algo no trabalho ou numa relação amorosa não é normal, mas não damos ouvidos a isso, podemos acabar numa situação em que aceitamos aquilo que, lá no fundo, consideramos inaceitável para nós.
Então, o que devemos definir como normal? O normal é algo que podemos utilizar como uma bússola para a nossa vida. No fundo, é o “sim” ou “não” de “adequa-se aos meus valores?” ou “é bom para mim?”. Podemos adotar uma visão mais aceitadora e sem julgamentos da experiência humana, numa tentativa de vermos as coisas como elas são aos nossos olhos, e não apenas aos olhos da sociedade. O segredo está no equilíbrio: demasiada normalização leva ao conformismo e instalação do problema, mas demasiado julgamento fecha as portas ao reconhecimento da situação, e pode levar à frustração e sofrimento.
Mais importante, podemos aceitar a experiência humana sem julgamento, mesmo que não a consideremos normal. Assim, abrimos as portas ao encarar do problema. Ao reconhecê-lo, podemos dar os próximos passos para a resolução, caminhando para o bem-estar psicológico e para aprender a lidar com eles. Até, quem sabe, resolvê-los.
Autor: Psicólogo João Pedro Morais , Diretor Clínico da Souvida & Psicólogo Clínico
