Suicídio e prevenção
Suicídio, o ato de colocar fim à própria vida. Quando sentimos que os problemas são tão insuportáveis que a única solução é não existir, ou que não temos um motivo para continuar a viver…
O sofrimento dos que decidiram partir não deve ser desvalorizado, tampouco a força dos que cá continuam. Porque escrever sobre isto não é apontar o dedo aos que já não se podem defender, é ajudar aqueles que ainda vão a tempo de não o fazer.
Há motivos para continuar. Procurá-los pode ajudar. Se pensa, ou já pensou, em suicídio, peço-lhe que dedique um momento a refletir sobre tudo aquilo que perderia e que o faz continuar. A felicidade é um estado de satisfação, bem-estar e equilíbrio. É um sentimento subjetivo, e podemos procurá-lo através da realização pessoal, relacionamentos saudáveis, propósito de vida e autocuidado.
Há momentos bons, em que sentimos alegria e felicidade, e momentos maus, que podemos utilizar como aprendizagem. Sentir o sol na pele ou sorrir para outra pessoa podem ser motivo suficiente para tornar o nosso dia mais positivo e com significado. Se as partes más se tornarem demasiado pesadas, podemos dar por nós perdidos no mar. Mas os momentos bons podem ser o farol que nos guia, e quantos mais encontrar, mais suportável se vai tornar.
“Mas mesmo que encontre o farol, continuo preso no mar…” Sim, é nestes momentos que devemos colocar as mãos no leme e tentar navegar a tormenta. Porque, em terra, a nossa vida ainda lá está, e vale a pena lá chegar. E se não o conseguirmos fazer sozinhos, há alguém disponível para ajudar.
Se se sente sozinho, desamparado, que os problemas não têm solução, ou que não existe um motivo para continuar, existe quem o possa ajudar. Fale com alguém, procure apoio psicológico, ou ligue para uma das linhas de apoio.
Não coloque um fim à sua vida, há motivos para continuar.
Linhas de crise para apoio à saúde mental:
Emergências: 112
SNS24: 808 242424
Linha Nacional de Prevenção do Suicídio: 1411
Outras linhas de apoio: https://prevenirsuicidio.pt/contactos-e-servicos-disponiveis/
Artigo de opinião escrito por psicólogo João Pedro Morais, CP 29940
Learn More“É normal?” Uma pergunta comum com impacto na sua saúde mental

“É normal?” é uma questão que todos já colocamos alguma vez na nossa vida. O que é ser normal? Todos os dias tentamos responder a esta pergunta, numa tentativa subconsciente de garantir que ainda nos enquadramos na sociedade. Quando não somos considerados normais, corremos o risco de ser colocados de parte, mesmo por quem amamos.
Este fenómeno tem o papel de adequar o nosso comportamento às regras definidas para o grupo, aquilo que definimos como cultura. Assim, encontramos, muitas vezes, a resposta a esta pergunta naquilo que nos foi ensinado pelos adultos no nosso crescimento. Mais tarde, nós próprios reforçamos e colocamos estas regras em prática. Mas, o normal também pode ser apenas aquilo que é comum, o que faz com que, por vezes, a nossa sociedade considere normal aquilo que sentimos que não é.
Frequente é o sofrimento oriundo da sensação de que algo que sentimos, fazemos, ou reconhecemos como uma parte de nós não é normal. Pode levar a um sentimento de rejeição ou de incompetência, ou à dúvida constante, numa sensação de paralisia que pode acabar em ansiedade ou conformismo. Por exemplo, quando sentimos que algo no trabalho ou numa relação amorosa não é normal, mas não damos ouvidos a isso, podemos acabar numa situação em que aceitamos aquilo que, lá no fundo, consideramos inaceitável para nós.
Então, o que devemos definir como normal? O normal é algo que podemos utilizar como uma bússola para a nossa vida. No fundo, é o “sim” ou “não” de “adequa-se aos meus valores?” ou “é bom para mim?”. Podemos adotar uma visão mais aceitadora e sem julgamentos da experiência humana, numa tentativa de vermos as coisas como elas são aos nossos olhos, e não apenas aos olhos da sociedade. O segredo está no equilíbrio: demasiada normalização leva ao conformismo e instalação do problema, mas demasiado julgamento fecha as portas ao reconhecimento da situação, e pode levar à frustração e sofrimento.
Mais importante, podemos aceitar a experiência humana sem julgamento, mesmo que não a consideremos normal. Assim, abrimos as portas ao encarar do problema. Ao reconhecê-lo, podemos dar os próximos passos para a resolução, caminhando para o bem-estar psicológico e para aprender a lidar com eles. Até, quem sabe, resolvê-los.
Autor: Psicólogo João Pedro Morais , Diretor Clínico da Souvida & Psicólogo Clínico
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